Pavones, Costa Rica (Parte I)


Pura Vida Muchachos e Chicas,

Cruzamos a fronteira do Panamá deixando para trás nosso primeiro país após 17 dias de viagem, de muito conhecimento, aprendizado, amizades e sorrisos cautelosos. Nossa passagem pela fronteira foi tranquila e sem “propina”. Um taxi nos esperava do outro lado e estávamos acompanhados de 03 gaúchos muito gente boa. Vitória, namorada do Daniel, e Márcio esse já conhecido em nosso Quintal desde Santa Catalina.

Seguimos por estradas esburacadas com metade do trecho asfaltado e a outra em terra com pedregulhos com destino ao “Pueblo” de Pavones, na Península de Osa, Costa Rica. Uma tarde com cheiro de chuva nos davam boas vindas a “Pavones”, agora de volta ao pacífico. Este é um lugar muito frequentado por surfistas que buscam nessa praia suas esquerdas longas, atraentes e verdinhas. Com três sessões perfeitas, que quando o mar está grande elas se encontram e vira a segunda esquerda mais longa do mundo.

Quando se passa um bom tempo em um mesmo Quintal percebe-se e sentem-se muito mais sensações. Descobrem-se lugares e pessoas que em poucos dias não é possível. Estamos hospedados em um “Hostel” chamado Caza Olas e desde a primeira noite que chegamos fomos recepcionados e tratados muito bem. Jenny, a gerente do albergue, da vida e hospitalidade para este lugar. E claro, não poderia deixar de lado seus dois filhos incríveis “Amanda Sofia” e “Santiago”, duas crianças amáveis, educadas, gentis, sorridentes e o que é maravilhoso é que elas são crianças, que brincam na rua, no rio, na areia, se sujam, caem na gargalhada e tem uma inocência e uma esperteza espantosa. Todos os dias somos recebidos com um “Buenos Dias Priscila” e “Buenos Dias Rodrigo”, sempre acompanhado de um sorriso cativante e uma voz doce.

Aproveitamos cada segundo dos dias, que estavam sempre recheados de acontecimentos bons. Levantamos todas as manhas “temprano”, preparávamos um café ou chá regado de muitas tortilhas (mexicanas) que levavam queijo fresco e ovos mexidos. Banana com leite em pó e granola era nossa sobremesa matinal. Aqui no “Hostel”dividíamos uma cozinha com os outros hóspedes. Para quem nunca se hospedou em um lugar assim, vamos explicar rapidamente como funciona. Neste que ficamos, a cozinha veio equipada com uma geladeira, uma pia com duas cubas, duas bancadas de apoio, um fogão com duas bocas e algumas prateleiras. As panelas ficavam todas penduradas e os utensílios expostos para qualquer pessoa usa-los a qualquer hora. Os mantimentos de cada hóspede tinham que ser etiquetados com seus nomes e aqui até agora funcionou, e ninguém mexeu em nossa comida.

A cozinha é um local de encontros com nossos “vizinhos”, conhecemos muitas pessoas engraçadas, curiosas, preguiçosas e desajeitadas. Com costumes e hábitos completamente distintos. Vocês devem imaginar como fica está cozinha na hora do almoço ou de um jantar? Teve uma noite que estávamos cozinhando com um casal de italianos, um argentino e dois holandeses. Cada um com sua língua natal falando ao mesmo tempo e ainda arriscando uma comunicação em espanhol, que resultou em uma conversa de futebol com muita gritaria, sobre quem era o melhor jogador do mundo?(Messi, Pelé, Maradona, Ronaldo e Ronaldinho, etc…).

Os dias passam e quando se faz uma viagem longa temos que se acostumar com despedidas e desapegos. Passamos momentos muito bons com o casal de gaúchos Vitória e Daniel, e também o gaúcho (Márcio), esse bem “gaúcho che”, super animado e literalmente um viajante na economia. Ficamos juntos por quatro dias e aí chega a hora de cada um seguir seu destino. Vitória e Daniel foram curtir o restante de suas férias alugando um carro e indo em direção ao norte da Costa Rica. Márcio ficou conosco mais três dias, pois havíamos combinado de seguir viagem juntos para a Playa Hermosa (Jacó) que se encontra mais ao norte. Porém este lugar que estamos nos encantou de tal forma que deixamos Márcio seguir em frente, o que resultou em uma chegada breve a Nicarágua e nós ficamos em Pavones.

Gostaríamos de dizer que este lugar é mágico e espetacular. Somos acordados todas as manhas ao som de belos casais de araras vermelhas com penas azuis e amarelas, que conversam entre eles e nos desejam um bom dia. O barulho da mata virgem suave e úmido que ecoa em nossos ouvidos nos convidam a olhar pela janela e ver suas árvores com copas gigantes e raízes enormes sobre o chão. Caminhamos sempre pelas poucas ruas que se concentram no centro deste pequeno “Pueblo” e nos deixam levar até uma praça linda e arborizada, com pássaros multicoloridos e flores a perder de vista. Olhando para o mar que está à frente da praça, apenas separado por uma baixa mureta de concreto e muitos troncos de árvores que a maré trás em suas cheias, há um rio a esquerda de pedras vulcânicas e águas verdes, onde todos os dias nos refrescamos e recarregamos nossas energias. Este rio tem uma força em sua correnteza que quando a maré está secando forma sulcos de águas transparentes e correntezas deliciosas que nos convidam para uma descida com boia de caminhão até o encontro com o mar.

A comida local é a base de peixe fresco e “pollo”, grandes atuns são vendidos fresquinhos na beira da praia. “Gallo Pinto” é o tradicional café da manha da Costa Rica. Casado é o nosso famoso PF (Prato Feito). A culinária é rica, com sabores que conquistam qualquer paladar.

Neste refúgio da natureza é possível encontrar cavalos soltos e livres atravessando o rio cautelosos e cuidadosos com pedras no fundo. Outra peculiaridade deste Quintal são seus cachorros, que praticamente formam uma gangue nas areias da praia, esperando uma próxima pessoa gentil lhes arremessar um pequeno tronco ou um coco para saírem correndo e voltarem radiantes para mais um arremesso. Percebemos que aqui nesta praia, os locais e habitantes não bebem água de coco e nem comem a carne do coco, pois os deixam amarelarem e caírem ao chão. Bom para os cachorros, pois esses quebram os cocos e se deliciam com sua carne branquinha.

Há um cachorro em especial que não poderíamos deixar de comentar, Leo. Este um companheiro de primeira. Acompanhava-nos todos os dias da pousada até a praia, ficava conosco debaixo de muito sol, curtindo a areia, as iguanas da praia, o rio e o mar e só regressava para a pousada junto com a gente. Com ele dividimos muitos cafés da manha e muitos jantares. Quando formos vamos sentir saudades, pois adiamos nossa partida mais uma vez e decidimos esperar um próximo “swell” que chegará durante a semana e “Quizá nos vamos en lo Domingo”.

Beijos e esperamos que nos acompanhem em mais Quintais!!!

Priscila e Rodrigo

O que encontrar (ou não) nos Quintais de Pavones:

  • Surf – Uma onda para esquerda perfeita;
  • Hostel Casa Olas, com Jenny, Amanda Sofia, Santiago e Leo sempre com um sorriso no rosto;
  • Casado – é o nome do PF na Costa Rica;
  • Macacos, Iguanas e Araras;
  • Dourado, Congrio e Atum Fresquinho;
  • Tranquilidade e Vida selvagem;
  • Troncos de árvores e muitas pedras na areia da praia;
  • Muitos cachorros;
  • O melhor suco de frutas da viagem até agora;
  • Um templo de yoga maravilhoso com vista para o mar;
  • Praça com muitas araras vermelhas com azuis livres.

Surf em Pavones

Hostel Caza Olas

Daniel e Vitória

Leo

Rio e Mar

Rio Pavone

Pavones

Márcio

Costa Rica – Pavones – Pura Vida

Santiago e Amanda Sofia

Amanda Sofia e Santiago

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7 Respostas para “Pavones, Costa Rica (Parte I)

  1. oi, Priscila, fale para os amigos do Rodrigo, que “Cabelinho” por coincidência , também é seu. Adorei o que vc escreveu no Blog.Eu e Papi estamos acompanhando os seus passos.
    Um beijo , Mamy e Papi

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